MAIS UM PASSO PARA A
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
“ As pranchas de comunicação
estarão, segundo o Governo Federal, disponíveis já a partir da primeira semana
de setembro”
Por Maísa das Graças dos Santos, 1576984
Polo THE BEST, Belo Horizonte
14 de agosto de 2017
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Na última sexta-feira, dia
18 de agosto de 2017, foi aprovada depois de seis meses em discussão no Senado
o Programa de Comunicação Inclusiva (PCI). O programa faz parte da comunicação
alternativa (CA) e será oferecido a alunos com paralisia cerebral, com
deficiências mentais e autistas em todos os níveis da educação.
Estudos apontam que no Brasil cerca de 1% da população
geral, ou seja, milhões de pessoas apresentam dificuldades de comunicação
severa, devido a danos neurológicos, emocionais ou cognitivos causados por
paralisia cerebral, retardo mental, autismo, surdez e outros (PELOSI 2000). O
objetivo do programa é tornar esses indivíduos com distúrbios de comunicação o
mais independente e competente possível em suas situações comunicativas,
podendo assim ampliar suas oportunidades de interação com outras pessoas, na
família, na escola e na comunidade em geral.
Para que se alcance
esse objetivo o governo federal irá disponibilizar, inicialmente, as
instituições de ensino infantil e fundamental do estado de São Paulo um kit de
CA gratuito contendo uma prancha de comunicação e um vocalizador, que “juntos iram
ampliar o repertório comunicativo que envolve expressão e compreensão, tanto de
alunos quanto de professores e através disso auxiliar na construção do
conhecimento e identidade do aluno” diz Alexandra Amorim, doutora em educação
assistiva.
A primeira e única, até o momento, instituição a receber o
kit em uma fase teste foi a Escola Municipal Rita Caldeira Santos em Indaiatuba
no interior de São Paulo, que possui em seu corpo estudantil quatro alunos especiais.
Dentre esses alunos está Gustavo Rodrigues de seis anos,
autista, antes do kit se apresentava bastante agitado até mesmo para as tarefas
escolares mais simples. Com a introdução do kit na metodologia curricular, a
professora Eliana Camargo Silva juntamente com os pedagogos pôde criar um
cronograma através da prancha, e com o vocalizador Gustavo pôde se expressar
mais calmamente. A aposta era que ao se criar uma cronologia, o aluno ficaria
mais calmo, uma vez que sabia o que aconteceria a cada hora e não havendo
necessidade para ansiedade, que era uma das causas para sua agitação; O aluno
assim, teria certo controle sobre suas atividades, sobre seu tempo; podendo
melhorar a relação entre professor e aluno. Camila Rodrigues, 26 anos, mãe de
Gustavo aprovou a proposta e ainda declara que também vai adotar a estratégia
fora da instituição, vai criar uma prancha com seus afazeres em casa esperando
obter resultados ainda mais positivos.
Outra atividade adotada pela discente foi a preparação de
uma receita, onde em parceria com os alunos organizaram as figuras da prancha
de acordo com o passo a passo da receita, explorando o léxico e estimulando a
organização sintática de alunos falantes e não falantes
Para que se obtenha resultados ainda mais significativos, é
necessário que não somente a equipe pedagógica trabalhem juntas, mas toda a
comunidades em especial os pais dessas crianças, para que juntos consigam
tornar esses indivíduos membros independentes e ativos da sociedade e dar mais
um passo em direção a inclusão escolar.
“ Já possuímos alguns instrumentos que nos auxiliava na aprendizagem dos
nossos alunos especiais, mas com a chegada das pranchas e do vocalizador a
interação entre esses alunos e professores aumentou e melhorou
significativamente; ainda temos um longo caminho a percorrer, mas um deles já
foi dado; e são instrumentos interessantes porque podem ser adotados fora do
contexto escolar, o que os torna bastante importante. Estamos bem esperançosos
quanto aos resultados das outras escolas também. ” Beatriz Lima, diretora da escola.
As pranchas de
comunicação estarão, segundo o Governo Federal, disponíveis já a partir da
primeira semana de setembro para todas escolas de São Paulo, seguidas por Rio
de Janeiro, Minas Gerais e assim sucessivamente, até que todas as escolas do
território nacional sejam atendidas, promete.
A
prancha de comunicação será do tipo pasta de arquivo, contendo
várias páginas de sacos plásticos transparentes e cada página representara uma
prancha de comunicação temática e o vocalizador é um dispositivo eletrônico de
gravação e/ou reprodução que vai auxiliar o aluno a expressa seus pensamentos,
sentimentos e desejos pressionando uma mensagem adequada que está pré-gravada
no aparelho. As mensagens são acessadas por teclas sobre as quais são colocadas
imagens, fotos, símbolos figuras ou palavras, que correspondem ao conteúdo
sonoro gravado; assim vai auxiliar sua comunicação no dia a dia e poderá ser
utilizado em qualquer disciplina e adaptadas para qualquer atividade.
Desde que o Ministério da Educação/Secretaria de Educação
Especial promulgou em 2007, a Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva, que acompanha os avanços do conhecimento e
das lutas sociais, visando constituir políticas públicas promotoras de uma
educação de qualidade para todos
os alunos; vários avanços foram feitos para que esses objetivos fossem
alcançados, o PCI promete auxiliar para o mesmo. E com o crescente avanço da
tecnologia chegou a hora de transforma-la
em instrumentos de trabalho, estudo e lazer das pessoas com necessidades
especiais, oferecendo conhecimentos, autonomia e diversão. Como
salientado por Francisco Godinho em seu livro (On line: Internet para
necessidades especiais, 1999). “Para a maioria das pessoas, a tecnologia torna
a vida mais fácil, para uma pessoa com necessidades especiais, a tecnologia
torna as coisas possíveis. ”


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